Sob a minha pele
Nos tempos antigos, mais antigos do que o próprio tempo, era sabido que aquela que assistia a futura mãe no processo de dar à luz tinha a capacidade de reconhecer o dom com o qual o recém-nascido chegava a este mundo. O dom era-lhe sussurrado pela brisa, confirmado pelo voo de uma águia e por fim semeado no seu coração como uma verdade inabalável. Também era sabido que esse dom era guardado como uma joia rara, pela parteira e pelo espírito da criança, num lugar secreto até que a criança sentisse o apelo de o encontrar. Quando era chegado o momento, o jovem ou a jovem teria que partir numa jornada que só ele ou ela poderia iniciar e viver. Nessa jornada sagrada, iria em busca de um conhecimento que já residia dentro de si como semente, mas que só a experiência no mundo poderia revelar, tornando-o real. Mais tarde regressaria à tribo, incorporando o dom com o qual havia nascido, partilhando-o com a comunidade. A parteira, guardiã dos segredos da vida e da morte, rejubilava co...