Vénus na sombra e na luz de escorpião
Vénus em escorpião pode ser mel ou fogo.
Prazer e dor. Intensidade incontida. Incandescência.
Tudo é pessoal e próximo. Até se tornar gélido e distante.
Escorpião é o signo da fusão -
energética, emocional, sexual.
A identificação cega, e por vezes
obsessiva, com o outro significativo que pode levar à dependência e à destruição.
Mas também pode levar ao renascimento, especialmente quando um espaço sagrado é
invocado e aberto entre ambos. E uma nova escolha é feita.
Em escorpião, não há meio termo nem
limites.
As experiências traumáticas vividas ou o
testemunho diário de histórias de dor durante a infância ou durante o período
pré-natal ganham peso, tornam-se gravidade, e emanam um certo tipo de carisma
que tende a magnetizar situações e relações onde a ferida original é projetada
e reencenada.
Tudo é vivido em alta voltagem, de forma
extrema e dramática.
Isto porque escorpião absorve, a maior
parte das vezes inconscientemente, os estados emocionais das pessoas com quem
convive e dos espaços que habita ou por onde transita.
Ter consciência dessa característica, das
trocas energéticas que têm lugar nos planos invisíveis e ter um sentimento de
valor próprio, pode ajudar a manter um certo equilíbrio emocional.
Quando isso não acontece e prevalece um
senso de ameaça ou de perda de controlo, Vénus na sombra de escorpião pode
acumular ressentimento, ciúme, inveja, vingança, e recorrer a tudo o que pode,
mas mesmo tudo, para não chorar a dor que lhe dilacera o peito.
E assim permanece diminuída e enclausurada,
presa entre a máscara e o espelho.
Com escorpião não há meio termo:
transformar ou definhar. Criar ou destruir.
E quando a Vénus em escorpião, dentro de
cada um de nós, escolhe vulnerabilizar-se, reconhecer as feridas que carrega e
olhar o espelho que as suas mãos seguram há muito tempo, eis que um poder
antigo retorna.
Ela torna-se fogo sem se queimar e sem
queimar ninguém. É senhora das águas da compaixão.
Torna-se curandeira e sábia. Profunda. Ponte entre
a vida e a morte. Nela a eternidade ganha raiz e a existência flutua.
Transforma-se, então, num oráculo com
capacidade de ler a estrutura natural subjacente à vida e de invocar o poder
selvagem da criação para estruturar a sua realidade.
As relações que estabelece não são mais
um campo de treino ou de batalha. Escolhe conscientemente aquelas às quais
dedica tempo e atenção, porque sabe que onde o seu olhar se fixar, a vida vai brotar e o
universo prosperar.
E tudo o resto, ela aprende a libertar.
Susana Tomás
Arte: Ann Beeching

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