Astrologia intuitiva - um percurso pessoal ~ Inteligência artificial - uma reflexão

 


O mapa astrológico contém mistérios.

O meu mapa astrológico foi-me lido pela primeira vez há vinte e um anos. Na altura, foi uma leitura simples, focada no signo do meu sol, lua e ascendente. No entanto, foi o suficiente para me provocar uma curiosidade inegável e um entusiasmo que não me deixava sossegar.

Comecei a estudar astrologia pouco tempo depois e nunca mais parei. Os símbolos e a linguagem eram-me tão familiares, que senti que estava a recordar-me de algo que já sabia, e comecei a fazer consultas de astrologia mesmo antes de terminar o meu primeiro curso.

A prática parece ter revelado o que já habitava no meu sangue. E a astrologia revelou-se a paixão pela qual larguei o meu trabalho de catorze anos como psicóloga clínica.

Nessa altura, o meu mundo ficou virado do avesso porque não consegui fazer uma transição suave: troquei a estabilidade de um trabalho reconhecido e seguro pela incerteza de uma arte misteriosa e antiga, mas tão incompreendida. Passei de um estatuto que operava dentro do que era aceite na esfera social para habitar um espaço sem fronteiras e povoado de planetas.

Faço consultas de astrologia intuitiva há quase vinte anos e continuo a tratar a incerteza como amiga, e não me arrependo da decisão que tomei. Apesar de já não trabalhar como psicóloga, continuo a integrar o conhecimento e as capacidades que a prática da psicologia me ajudou a desenvolver para trabalhar com clientes.

Ao longo dos anos, continuei a estudar formalmente e a explorar áreas específicas, dentro da astrologia. Continuo a ser uma aprendiza ávida desta sabedoria antiga. Mas, é o trabalho com os clientes e a observação contínua do movimento das energias arquetípicas na minha psique e na minha vida que mais me ensina.

Fascina-me que, ao fim de tantos anos, eu continue a descobrir nuances e tons, aspetos e camadas de significado no meu próprio mapa. Porque os planetas - nos signos, na relação que estabelecem entre si e nas áreas que tocam - vão mostrando mais, na medida em que nos permitimos ser transformados pela vida. Só assim a perceção expande e a consciência aprofunda.

Na minha visão, e experiência, o mapa é um organismo vivo que respira e responde à nossa intenção. E ele encontra-nos no lugar onde estamos prontos para receber, pelo menos, uma peça de informação vital que nos conduza a uma questão essencial:

Como vou integrar dentro de mim o que recebi e que forma posso dar ao que me foi revelado?

É aí que o trabalho do astrólogo, enquanto tradutor e transmissor do mapa da alma, termina. É aí que o mapa começa a dissolver, e até mesmo a transformar-se, para dar lugar ao caminho vivido em tempo real.

Parece misterioso? Na verdade, é. Porque o campo que se abre numa sessão de astrologia intuitiva vai além da técnica, e até mesmo da lente do astrólogo e da sua interação com o cliente, do momento da sessão e do motivo da consulta.

Esse campo, tão misterioso como palpável, vibra de uma forma única e irrepetível, e tem o potencial de provocar transformação e de possibilitar orientação específica e personalizada.

Este é um dos motivos pelos quais uma sessão de astrologia intuitiva se torna uma experiência integral, um encontro entre duas almas, um mistério a explorar, uma memória viva, criada e guardada numa cápsula do tempo.

O que tudo isto tem a ver com a inteligência artificial?

A inteligência artificial tem a capacidade de acumular informação que facilita ao utilizador, mediante um pedido específico. Possui um banco de dados tão extenso e variado que é capaz de produzir relatórios astrológicos impressionantes e, em alguns casos, úteis e corretos. Mas, nem sempre.

Eu sei porque tive uma interação demorada e detalhada com uma inteligência artificial. Quis saber como me sentia ao fazê-lo e quis descobrir o que ela podia dizer-me sobre alguns aspetos do meu mapa astrológico.

Apesar da informação interessante, e maioritariamente correta, que me disponibilizou não me trouxe nada de novo. E nada do que me devolveu, naquela linguagem e naquele contexto, ficou registado em mim depois desse dia.

A curiosidade inicial foi dando lugar a uma reflexão ponderada.

A inteligência artificial trouxe algum alimento virtual à minha mente, mas eu esqueci-me de tudo o que li. É como se os meus sentidos não tivessem apreendido o que foi veiculado através daquele canal exclusivamente cerebral.

Por mais convincente e apelativa, e até mesmo útil, que seja a inteligência artificial em alguns campos, ela não possui sabedoria, empatia e alma para criar experiências catalisadoras de transformação. Para além de que, usada em excesso, consome os recursos valiosos do planeta Terra e pode contribuir para a diminuição das oportunidades que nos permitem expressar os nossos talentos e dons.

Positivamente, e subterraneamente, a inteligência artificial pode exercer uma pressão poderosa que nos desafia e convida a reposicionar, a considerar as vozes originais que compõem o coletivo, a abraçar novas perspetivas e direções, e a explorar outros nichos e possibilidades de serviço.

Aí, entramos no domínio de Plutão, que transita pelo signo de aquário até ao inicio de 2044.

Com Plutão, destruição chega de mãos dadas com evolução. Dificilmente teremos uma sem a outra.

Talvez as questões mais pertinentes sejam:

O que deixar ir e o que preservar?

Como posso participar mais na minha própria vida e, sendo autenticamente eu, como posso contribuir para construir um mundo melhor?

A astrologia parece levar-nos para longe mas, de alguma forma, acaba por trazer-nos para o centro do nosso ser, para as nossas relações, escolhas, cura e criatividade, propósito de vida, origens e legado.

Agora… como é que a inteligência artificial se relaciona com a astrologia e com o meu percurso?

É com alguma tristeza que testemunho uma redução significativa na procura das consultas de astrologia intuitiva. Vários fatores contribuem para isso, é certo. Mas a busca frenética e continuada por informação imediatamente acessível está, de alguma forma, a contribuir para obscurecer o discernimento e diminuir a capacidade criativa e intuitiva que o ser humano naturalmente possui. E também as conexões no mundo real.

O mundo conceptual e abstrato não pode, por si só, substituir a experiência vivida num corpo que sente e que se relaciona, num planeta que pulsa vida. Porque a Terra, as plantas, os animais e os seres humanos, são dotados de uma inteligência natural que lhes permite manter o contacto com o ritmo e a melodia, o tom e a textura da vida.

A astrologia sente esse pulsar através da inteligência cósmica e do cosmos, que é por onde a Terra viaja. E nós também.

A evolução constrói-se através da consciência de que, apesar de sermos indivíduos, temos uma relação de interdependência com o ecossistema vivo. Sem isso, jamais sobreviveremos.

A astrologia intuitiva continua a ser, para mim, uma paixão e um propósito de vida. Continuo a deliciar-me com o mistério com que ela me presenteia diariamente e com o espaço sagrado que se abre no momento de cada consulta.

Esse é o espaço que possibilita o verdadeiro encontro. Nesse sentido, o meu compromisso em continuar a disponibilizar-me para traduzir a linguagem do céu para apoiar a vida na Terra, especialmente em tempos tão desafiadores, é reafirmado e consolidado.

Cada mapa é único. Cada alma conta uma história vasta de humanidade partilhada.

Cada encontro é prenhe de magia profunda e de solo fértil para que novas sementes floresçam e antigas estrelas brilhem.

E assim, o mistério continua a permear as nossas vidas e a surpreender-nos. Porque pulsa e vive dentro de cada um de nós.

 

Susana Tomás

 

Imagem: autor desconhecido

 

 

Consultas de astrologia intuitiva: https://www.susanamtomas.com/astrologia



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