Flores na Lua
Lua nova em virgem - dia 11
O meu corpo é o meu templo
A Terra é casa e medicina viva
Cuidar de ambos é dizer sim a nós.
Virgem contém a consciência que Terra é
mãe. E a promessa que a semente se tornará colheita.
Aqui, a relação com o mundo natural
assume um caracter intimo e oracular, porque entrelaça o místico com o mundano.
Integra o solo profundo com a magia do quotidiano. Une o invisível ao terreno.
Raiz e fruto.
Virgem comunica-nos que a Terra guarda
no seu ventre tudo o que precisamos para viver uma vida sã. Mostra-nos que
somos parte da natureza e que, à semelhança dela, também nós temos uma ecologia
diversificada e recursos valiosos que podem e devem ser conhecidos, e usados
com sabedoria.
Virgem dá à luz e nutre a vida, porque
experiencia o fluxo do amor no corpo. Esse fluxo está longe de ser um conceito
e, quando sentido fisicamente, torna-se força que irradia a partir de dentro,
guiando-nos de forma inteligente.
Virgem cura ao serviço da vida. Virgem
cura a ferida que se tornou identidade, de forma a que possamos habitar a vida
de forma plena.
Este é o ciclo da flor da síntese - a
beleza que floresce e assume uma expressão prática e útil. Onde cada detalhe da
vida mundana se transforma numa prece constante. E cada espaço, um jardim de
devoção que alimenta o ciclo seguinte.
Para restaurar a relação direta com estas
dimensões da vida, podemos perguntar-nos:
O que nos sussurram os padrões
disfuncionais que se repetem e que surgem disfarçados de destino?
Como posso cuidar mais do meu corpo de
forma a sentir as sensações e a informação que o percorre?
Que vínculos pedem reparação e ordem?
Este ciclo lunar é um período de
reconhecer e romper com obediências que perpetuam desordem e desequilíbrio,
submissão inconsciente, castigos herdados e dogmas que negam o corpo e
domesticam a mente.
Só devolvendo ao corpo a sua sabedoria
inata, podemos apurar os sentidos e desenvolver a arte do discernimento.
Privilegiar o prazer como um sopro de vida e reclamar a voz como instrumento de
cura. Com soberania. Em alinhamento com a Terra e com a mãe cósmica.
Que cada pequeno passo meu possa contribuir para
servir a Terra. Que os meus pés possam ser sustentados pela Terra.
Que as minhas mãos possam continuar a tecer novas
criações com fios fortes e coerentes. Com confiança. Dissolvendo limites entre
espiritualidade e encarnação. Protegendo o que é sagrado.
Que cada gesto meu seja uma celebração.
Que cada silêncio seja um espaço de escuta.
Que cada palavra seja uma oferenda de conexão.
Que cada respiração se torne um ato de presença.
E quando assim não for, sou livre para reconhecer e
reparar, e permitir que a vida me apresente a novas possibilidades de
crescimento.
Susana Tomás
Imagem: ‘Ixchel’ por Ashleigh Izienicki
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